Reconstruindo das Cinzas

Por Naara Oliveira

Ela acorda as 05:00h da manhã. Faz sua higiene pessoal, põe a roupa de malhar e sai para sua caminhada diária na praia de candeias. Após seus 60 minutos de exercícios, Márcia Tavares Mendonça* senta-se nos destroços de um antigo chuveirão, dizimado pela erosão marinha, e contempla o sol pouco acima da linha do horizonte. É neste momento, que ela faz suas avaliações, meditações e projeções do futuro.

Com 28 anos , essa publicitária loira, com 1.75m e 69kg, sabe muito bem o que é sofrer por amor. Após o fim de um relacionamento de seis anos, Márcia tentou o suicido em diversas modalidades. Jogou-se na frente dos carros, cortou os pulsos e o que conseguiu foram apenas fraturas e cicatrizes. Mas em Janeiro de 2003, ainda inconformada com o fim da relação, ela ingeriu uma
quantidade enorme de comprimidos, o que a levou ao coma por três meses.
“Foi um momento de muita aflição. Ver minha filha quase morta por causa de um cretino sem coração. Graças a Deus e a Nossa Senhora, minha filha está viva e feliz”. Diz a mãe da jovem, Dona Laura Tavares.

Para Márcia, a vida é a única responsável por sua cura interior. Ela afirma que quando passou a olhar as coisas com os olhos espirituais, as coisas se transformaram. “ O simples fato de, ao acordar, ver o sol brilhando sem se importar com que gosta ou não, já faz uma diferença enorme. Cansei de sofrer e resolvi olhar ao meu redor com os olhos do espírito”, Afirma a jovem que hoje é católica e devota de Nª Senhora de Fátima.
Se questionada quanto ao grau de dificuldade para sua restauração, ela relata: “ Foi difícil ao cubo, mas eu consegui. Ninguém quer perder a vida com 23 anos, mas eu queria pois achava que não iria mais amar e que tudo tinha acabado para mim. Mas três meses quase morta fez uma diferença enorme, quando acordei senti que meus amigos me amavam do jeito que eu era, que minha família sempre esteve ao meu lado e nunca me desamparou e isso me fez enxergar além. Sem contar que a rotina saudável que adquiri após o incidente, me fortaleceu bastante. Hoje sou, primeiro eu, segundo eu e terceiro eu. Depois penso nos outros.” Afirma orgulhosa e com um sorriso no rosto.

Para a Psicóloga Josélia Cruz, este é um caso onde a família e os amigos são de vital importância. “ Eles dão sustância a pessoa fragilizada e esse apoio reintegra o individuo a sociedade com efeitos adversos menores. Existem milhões de Marcia’s que hoje estão vivas graças ao apoio familiar e outros milhões que estão mortos por não encontrarem esse subsidio”.
De fato, uma reconstrução como essa é difícil, mas é possível. Força de vontade e uma ajuda pra lá de divina ajudam e se tornam forças adicionais no processo de cura interior.
Hoje, 5 anos após o incidente que, por milagre (ou não), não ceifou sua vida, Márcia volta a se relacionar. Namorando há 6 meses o Gerente de Marketing de uma renomada empresa do ramo alimentício, ela se sente feliz e aposta suas fichas no relacionamento que é baseado na lealdade e no diálogo.
“ Aprendi a conversar mais e acho que o diálogo é um dos caminhos que nos levam ao sucesso”, conta a publicitária que garante não fazer muita prospecção quanto ao futuro da relação. “ Estamos apaixonados e no momento isso é o que importa”.

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